Por Luciano BorgesAcademia de Futebol, 12h30 desta sexta-feira. Os jogadores do Palmeiras que não enfrentaram o Flamengo disputam um “rachão” num campo reduzido. Na equipe de azul jogam o zagueiro Marcão, o volante Mozart e outros. Na equipe vermelha, o jovem Felipe, puxado do time B, divide as ações no ataque com o companheiro baixinho de cabelo grisalho que não para de correr nos dois lados no campo e que, com toque de calcanhar, fez a assistência para um dos gols.
O baixinho em questão é o técnico do Palmeiras, Jorginho. Ex-ponta direita e ex-meia, o interino mostrou porque vem ganhando elogios dos jogadores. Seu estilo é populista.
“Estava faltando um jogador no treino, aí eu entrei para ajudar. Mas o meu quadril não me deixa correr muito porque dói. Isso vem com a idade”, disse o ex-atleta de 44 anos.
Faltam cones para demarcar a área do treino técnico de cruzamento? Jorginho atravessa correndo o campo nº 1, vai até o nº 2, pega os objetos, mas antes faz um “pit-stop” para conversar com o meia-atacante Marquinhos que treinava sozinho com o preparador físico.
“Eu estava incentivando ele a treinar mais puxado, porque ele ainda vai ser muito útil”, contou ao Blog do Boleiro.
O atleta baiano está voltando de uma cirurgia e ganha atenção especial. Jorginho quer que seus atacantes marquem a saída de bola adversária e isso requer força e resistência física.
“Se vocês repararem, os dois gols que marcamos contra o Flamengo nasceram de roubadas de bola no campo deles”, falou.
Falta uma conversa com os atletas? Jorginho abraça o volante Sandro Silva, visivelmente mais alto do que ele, e caminha conversando com o braço esquerdo levantado lá no ombro do jogador que colocou em campo no segundo tempo da vitória sobre o Flamengo.
Falta alguém para pegar a bola num treino de cruzamento? Jorginho cuida disso pessoalmente. Além de buscar o balão, ainda cruza pelo lado direito para ver se dá um jeito em Obina e Willians. Para se ter uma idéia, Jorginho colocou cinco bolas ao alcance de Obina. Ele deu duas furadas, um cabeceio para fora e três finalizações por cima do travessão. Depois melhorou um pouco, acertando o gol em seis finalizações.
“O Obina não vira o pescoço na hora de cabecear no primeiro pau, mas ele vai melhorar isso”, aposta.
Depois de cada sequência, Jorginho conversou com os atacantes. Para Willians, ele mostrou com gestos, inclinando o corpo para lá e para cá, como o atleta deveria se posicionar para cabecear.
“Eu já vi muita gente perder gols por postura errada. Aprendi com Roberto Dinamite como é importante inclinar o corpo para matar a bola e tirar o zagueiro da jogada”, falou.
O trabalho na véspera da partida contra o Santo André - este sábado à tarde no Palestra Itália - foi leve para quem correu dobrado no Maracanã na última quarta-feira. Os titulares fizeram um aquecimento em campo e discutiram posicionamento na área, divididos nas turmas de azul e vermelho.
“Esse foi o treino deles. Mostramos como devemos nos posicionar nas jogadas que o Santo André realiza. Isso vale para o ataque e para a defesa”, afirmou.
Mais uma vez o interino Jorginho conversou separadamente com Marcos, Diego Souza e Ortigoza. No final, antes da entrevista coletiva, Jorginho disse ao Blog do Boleiro que esse é seu jeito.
“Eu sempre fiz isso. Aliás, fiz isso a vida inteira. Como jogador e como treinador”.
Só não perguntem a Jorginho se ele será efetivado ou não no cargo de técnico do Palmeiras.
“Eu estou tranquilo. Quem está preocupado são vocês da imprensa”.